"Frente a"
O uso da locução "frente a" é condenado pelos gramáticos atentos à norma culta do idioma. Essa "condenação" baseia-se no fato de, na língua portuguesa, as locuções prepositivas de base substantiva, em geral, serem antecedidas de uma preposição. Assim: em frente de, de frente para, à frente de, em frente a, bem como em face de, em via de, à custa de, à beira de, à margem de, à espera de etc.
Nas obras de referência, como dicionários e afins, não encontramos as locuções frente a e face a, que são tão comuns na imprensa. A sugestão é que, no lugar delas, se usem locuções como "diante de", "em face de" etc.
Vejamos alguns exemplos: "As moedas locais caíram frente ao dólar e ao iene". Numa frase como essa, não caberia dizer que as moedas caíram "em frente ao" dólar; recomenda-se dizer que caíram "ante o" dólar.
Numa construção como "Os consumidores ficam confusos frente a tanta segmentação dentro do universo de alimentos saudáveis e estão ávidos por soluções simples e práticas", uma sugestão é o emprego de "diante de", isto é, os consumidores ficam confusos "diante de" determinada situação.
Já no terceiro exemplo, "Vimos, na campanha municipal, que poucos candidatos tiveram a altivez de não se prostrarem frente ao presidente, como se o gestor municipal (ou estadual) tivesse de ser subserviente ao governo da União", o ideal também é o emprego de "diante de", ou seja, alguns candidatos não se prostraram "diante do" presidente.
Talvez o maior problema do uso das expressões "frente a" e "face a" seja o fato de se terem transformado em verdadeiras muletas, passando a anular as diferenças de regência. Em suma, facilitam o trabalho de quem escreve, mas diminuem a precisão da linguagem.
Um abraço,
Thaís Nicoleti